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sábado, 14 de junho de 2014

Canto da Loucura sem Cura












by Betha Mendonça

Canto pelo silêncio das engrenagens dentro da minha cabeça. Para que parem, deem-me descanso e eu consiga dormir. As malditas não param. Sempre se movendo com rangidos e apitos que colocam a trabalhar o velho cérebro, fábrica de múltiplas ideias e sensações.

Ponho em músicas as imagens disformes que consomem meus neurônios. Essas serpentes que se enrolam umas as outras, e, em vez de mediadores químicos, lançam as mais diversas peçonhas. Elas embaralham e dão vozes aos pensamentos. Espalham-se e desencadeiam por onde passam as torturas: taquicardias, sufocação da respiração, ondas de gelos dentro dos vasos, toques da morte ao corpo como se ela quisesse me levar.

Com a voz tremula executo Hinos de Igreja. Em meio aos arrepios, ponho-me a andar e dizer orações. Através do canto tento exorcizar a loucura. Temo que ela tome conta de mim. Eu perca a sanidade, e, deixe de saber quem eu sou ou quem eu fui. Luto dia a dia no escuro com tal fantasma. Seus olhos de gato, pelagem de espinhos e boca de infinito a querer tragar-me como se eu fosse cachaça barata de um boteco qualquer...

Cantarolo na mente as cirandas de rodas da infância. Suas letras espantavam os monstros debaixo da cama e do armário. Pena não ser mais criança! Hoje os monstros vivem, clamam e brincam dentro de mim.  Lugar muito mais difícil de espantá-los!

*Imagem by_inpha

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Magias do Viver









by Betha Mendonça

Não sei dizer de fadas, duendes,
Seres elementares ou imaginários,
A povoar esta mente demente!

Alço voo nas asas longas e curvas,
De um Pégaso branco apaixonado,
Até cair em suas águas prateadas,
E banhar-me de loucas magias:

Um punhado de verde loucura,
Um abraço bem apertado,
E do alto de um cavalo alado,
Espalham-se pozinhos de ternura!

*Imagem by Arminestra

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Terror no Escuro

by Betha M. Costa

O escuro libera vis criaturas,
Espectros noturnos solitários,
Criações cheias de agruras,
Sonhos os mais sanguinários...

Senhores de horrores centenários,
Libertam suas grandes desventuras,
Horrendos monstros parasitários,
Sugam-nos do corpo as bravuras.

Não há como fugir das amarguras!
Negrumes são ideais cenários,
Para temores, insônias e loucuras,
E assim pagarmos nossos calvários...

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Pela Semana das Bruxas e do Saci publicarei poemas "sombrios e de feitiços".

domingo, 22 de agosto de 2010

Loucura de Amar

by Betha N. Costa

Levo e visto à vida pouco lúcida,
Oníricas idéias e afetos,
Uirapuru solitário na beira do rio,
Canto em elegia a toda loucura,
Uma prece ao raso rio da razão.
Rasgo em desatino roupas,
Amores, gemidos e horrores:

Dores de cabeça da insanidade,
Em forma de ser e lamento!

Amo pia e perdidamente de mim,
Mais que me permitem os deuses,
Além de suas promessas decentes.
Rio, rio... Risos de amar para sempre!