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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Ilha de Gelo


por Betha Mendonça

cruzei o mar dos meus sonhos
nas ondas dos teus cabelos
a afagar-te e afogar-me
n’águas salinas d’amores

naveguei e naufraguei
entre teus indicadores
a apontar-me outro nome

por inveja e desgosto
isolei-me numa ilha
até encobrir-me seu gelo

*Poemas para Ulisses

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Tudo Azul ao Norte

by Betha Mendonça

Passou a tempestade. Calmo o norte.

Serenidade e ócio no céu sem nuvens,
Mar tépido, sem vagas de ferir a pele,
Banheira de espumas ao final da tarde,
Em sais de verão a temperar o sol.

Guardo as sensações desse momento:
Maresia a impregnar a memória olfativa,
Arrepio nos poros ao despudor dos ventos,
E na retina o azul encontro d’água e céu.

Ah! Nada sul: tudo azul ao norte.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Mulher ao Mar












by Betha Mendonça

Existe um lado mui belo por trás das sombras,
A abrir os espaços e correr com seus passos,
Dentro da nesga mágica dessa tela lhe saber.

Sou o delírio e é aqui morada dessa paixão,
A espalhar-se poeira por esquinas e multidões,
A procura de você dentro de todo o mundo.

Vivo num navio encostado em porto seguro,
Estou aqui presa e me sinto como em você:
Um barco na tempestade a gritar ao vento.

Diga-me como atracar ao cais do seu coração,
E tomo o barco, pago qualquer preço ao condutor,
Ou lanço-me de vez ao mar só a nadar e nadar...

*Imagem Google

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Canto da Lucidez Perdida












by Betha Mendonça

Ferida pelo fio de duas espadas,
Cega pelos meus olhos adivinhos,
Alma negra, de crenças enganadas,
Sangrou minha pele com mil espinhos.

Fel e fogo correram de mãos dadas,
Nesses pés mais céleres que os caminhos,
Com palavras e rimas devotadas,
Queimei poemas sem voz nem carinhos.

Tantos dias a noites acorrentadas,
Ao que me é senhor real nas estradas,
Sufoquei-me sem os ares marinhos!

Corri ao mar. E, as conchas mal fechadas,
Gritaram através de ondas quebradas:
- Teu coração e mente são passarinhos!...

*Imagem tumblr

terça-feira, 6 de maio de 2014

Ser do Mar










by Betha Mendonça

viver sem hipocrisia
a partir e chegar
roubar odor da maresia
amorenar-se a luz do luar

inveja de ser do mar...

olhar distância sem igual
alimentar-se de vento e sal
leme em destino incerto
exceto, agora desenhado.

*Imagem tumblr

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Poema de Mar e Amar












by Betha Mendonça

Ondas espumam em desenhos no ar,
Harmonia, leveza, pura magia,
Eu rubro barco na costa a remar,
Coração acelerado, em euforia...

Lanço minhas mãos ao clarão do luar,
Com os braços abertos e alegria,
Rogo ao Deus e Senhor do meu Altar,
Orientação através de um Anjo-Guia.

Sou uma pobre e pecadora Maria,
A suplicar aqui deste triste lugar,
Que na tua vida possas me aceitar...

Teu calor aquecer-me a noite fria,
Navegar ao bel prazer do teu mar:
Ah, doce felicidade de amar!...

*Imagem do Google

domingo, 23 de março de 2014

Voyeuse










by Betha Mendonça

Ah, moço que parece uma sombra!
Tens cor de esperança desbotada,
E inebria-me teu cheiro instigante,
Feito pétalas de flores arrancadas,
Que invadem minhas manhãs de sol.

Passas todos os dias a mesma hora,
Olhos mais baixos que os ombros,
Um sonâmbulo das quentes areias...
Viajante de um sono constante,
Ou retirante de um amor impossível?

Arrasta-te na praia onda cambaleante,
Envolto em distantes pensamentos,
Lanças os olhos distraídos ao mar,
Nem notas o meu olhar voyeuse,
Por detrás dos óculos escuros...

*Imagem do Google

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O Mar










Desconheço Autoria

O mar
não confiou em mim
por que sou da terra

O mar
não confiou em mim
por que não sei nadar

O mar
não confiou em mim
por que lhe disse
que amar afoga

O mar
confiou em mim
quando lhe gritei
que amar também afaga...

*Imagem Google

sábado, 25 de janeiro de 2014

Jazigo









by Betha Mendonça

Não há mentira ou verdade nesse mundo,
Morada da incerteza e árvore de ar e fogo,
De virtudes e pecados no mesmo jogo,
A dançar rei e rainha em campo rotundo.

Meu, o roçar das nossas asas foi prólogo,
De voo belo, altaneiro e mui profundo,
Até a lâmina da realidade em desafogo,
Derrubar-me das nuvens num segundo.

Ferida de morte e segura por vento oriundo,
Do clamor dos teus olhos e versos em rogo,
Vago no teu espaço como fantasma imundo.

Já morri e meu jazigo é o mar onde afogo,
E escrevo com espuma das ondas o epílogo:
- Jaz aqui a mulher de um amor infecundo.

*Imagem Google


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A Pérola








by Betha Mendonça

Nas macias areias da praia,
Desenhei enorme coração,
Ali onde o sol raia,
Rabisquei sempre te amar,
E as ondas de emoção,
Acabaram por levar,
O sentimento lá descrito,
Às profundas águas do mar.

Lá reina o desejo proscrito,
No escuro abissal a flutuar,
Em êxodo perene a alma,
Procura lugar a lugar,
Uma concha mais calma,
Para nossa pérola formar.

Espumas banham instantes,
Ondas vão e voltam,
Em mutações constantes,
Confundem e remontam,
Escondidos sentidos,
No interior da pérola,
E de nácares fundidos,
Nosso novo amor revela.

sábado, 28 de setembro de 2013

Amor


by Betha Mendonça

E chamo-te amor
por não saber-te
e sentir-te como
se outro tu foras.

Senão aquele
a quem conheço
e vive em mim
e tempestade
espalha-se...

E chamo-te sentir
sopro e arrepio
ardor e o calor
e toda a água
a me es_correr...

Sei-me naufrágio
e naufraga
a contracorrente
rente à loucura
que me lança a ti...

E sei-te e bebo-te
enxurrada interna
a afagar-me
e afogar-me
em mar aberto.

Eu digo-te amor
por não haver
no meu saber
e nem sentir
outro termo
que grite de ti!


quarta-feira, 26 de junho de 2013

O Mar


by Betha Mendonça

O mar marulha
Rompe o leme
Assusta e enche
O vazio da gente

O mar sacode
O vazio da mente
E alenta a chama
E consome o tempo...

O mar mergulha na tristeza
E se afoga na razão
O mar libera
Nosso coração

*Imagem do Google