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sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Santo de Avatar

por Betha Mendonça

ah, caminho de dor,
no campo de pisar,
por sobre o falso andor,
dum santo de avatar!

pés que partem daqui,
são crentes sem a fé,
que tateiam pelo chão,
a achar o que nem é...

sai do lábio vazio,
a prece de assunção,
por tal ente sombrio.

fé por milagre vão,
sem devoção nem voz,
benção, nem beija-mão.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Feito Oração









by Betha M. Costa

Aonde a vista achava-se sob tua mão,
Era uma benção que me sobrevinha,
O deslocamento de uma avezinha,
Ou voz feminina a alar-te a unção.

Eras o traço invisível no desenho,
A viajar-me em curvas de ser feliz,
Dentro do altar de sonhos que te fiz,
Hora por dentro dum credo ferrenho.

Ora no centro do olhar inda tenho,
Guardado o mistério de tal empenho,
Teu espírito e corpo em adoração.

Nos Salmos diários de saudades venho,
Cantos e passos a tua devoção,
Guardar na tez teu nome em oração.

*Desconheço autoria de imagem (Google)

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Ao Que Não Me É









by Betha M. Costa

não são meus os olhos, brilhos dos teus,
a leva-te ao distante sonho d’além-mar,
nem a delicadeza e os modos europeus,
que te fazem um cativo na noite a clamar.

as costas que viram o rosto e não te veem,
não se quedam ante a chama dos sussurros,
não se apiedam pelos anos que te absorvem,
nem do sangue em tuas mãos pelos murros;

esses, que cego por um passado que não te é,
ferem e abrem-te espírito e corpo em chagas,
por um amor amaldiçoado, que de ti não apagas!

esse, que tens o prazer lançar-me em rosto e fé,
manchar de vermelho a esperança que eu tinha,
de que cada sentir e palavra tua fosse só minha.

*Imagem do Google

sábado, 31 de maio de 2014

Praia de Fé e Lodo










by Betha Mendonça

Como para ti também a mim cansa,
Esse fluxo de ir e vir das marés.
Fica bem onde tu estás e descansa,
E deixa que me sosseguem os pés!

No íntimo do peito sei que não és,
O qual nada no mar e me alcança,
Nessa praia lodosa de algas invés,
D’areias em grãos de sal em aliança.

Sei-te desse fogo soprado em lança,
A me afoguear as carnes através,
De poemas que me abraçam em trança.

Fosse esse tempo de luz e bonança,
Deitaria meus os dias em cafunés,
E me tatuaria teu nome por fiança.

*Imagem Google

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Mais um Soneto de Adeus











by Betha Mendonça

O que tenho eu além de um rosto, senhor,
Dona da face do desgosto a roubar-te amor?
Queres ganhar uma passagem para o inferno,
Onde sou senhora, visagem e horror interno?

Quando digo: loucura! Eu não invento.
Falo de dentro duma mente mui doente,
Desta caricatura, que figura ao vento,
Cheia de fantasmas... Na real é demente.

Bem fazes em calar a voz aos meus ouvidos!...
Que teus olhos fechem e desviem de mim,
E de tudo em tal e todo instante faça-me fim!

Adeus a ti e mim, belo cavaleiro ausente!
Daqui seguirei em frente, sem olhar para trás,
Lá, onde estive cega, indiferente e em paz.


*Imagem @betha

Canto da Lucidez Perdida












by Betha Mendonça

Ferida pelo fio de duas espadas,
Cega pelos meus olhos adivinhos,
Alma negra, de crenças enganadas,
Sangrou minha pele com mil espinhos.

Fel e fogo correram de mãos dadas,
Nesses pés mais céleres que os caminhos,
Com palavras e rimas devotadas,
Queimei poemas sem voz nem carinhos.

Tantos dias a noites acorrentadas,
Ao que me é senhor real nas estradas,
Sufoquei-me sem os ares marinhos!

Corri ao mar. E, as conchas mal fechadas,
Gritaram através de ondas quebradas:
- Teu coração e mente são passarinhos!...

*Imagem tumblr

Inferno











by Betha Mendonça

Os meus caminhos são de palmos medidos,
Pés de tantos passos cansados e perdidos,
Sobre seixos, piçarras e barros das estradas,
Encalhados nas tardes quentes das enseadas.

Vento e sol a pino secaram-me pele e sentir,
Porque ofendi os Deuses e seres celestes,
Com más ações, destilei o amor às pestes,
Feri Cupido com minhas flechas de mentir.

Lançaram-me no abismo do inferno,
Como, se com o modo doce e terno,
Não fosse capaz de seduzir os guardiões...

Nessa terra sem aragem, água fresca e ilusões,
Cheia de dores, saudades e remorsos aflitos,
Só a lembrança de um amor cala-me os gritos.

*Imagem tumblr

Soneto do Amor sem Métrica












by Betha Mendonça

Não quero domínio nem poder,
Louca, de pensamento pastel,
Desejo a simplicidade de ser,
Ave ou folha branca de papel...

Largada, a voar pelo vento leve,
Que me leve a beijar-te a mão,
Essa que me escreve, descreve,
Tela a tela, que paixão é paixão.

Sonho noites de chuva na janela,
Rosas amarelas lançadas à cama,
A meia luz de vela em chama.

Tu, desperto, a vigiar-me o sono,
Armado de meu feitor ou dono,
Depois de uma noite de amor.

*Imagem Google

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Poema de Mar e Amar












by Betha Mendonça

Ondas espumam em desenhos no ar,
Harmonia, leveza, pura magia,
Eu rubro barco na costa a remar,
Coração acelerado, em euforia...

Lanço minhas mãos ao clarão do luar,
Com os braços abertos e alegria,
Rogo ao Deus e Senhor do meu Altar,
Orientação através de um Anjo-Guia.

Sou uma pobre e pecadora Maria,
A suplicar aqui deste triste lugar,
Que na tua vida possas me aceitar...

Teu calor aquecer-me a noite fria,
Navegar ao bel prazer do teu mar:
Ah, doce felicidade de amar!...

*Imagem do Google

quarta-feira, 19 de março de 2014

Sangue










by Betha Mendonça

Nesse vai e vem de Cobra Grande lenta,
A queimar gota a gota as emoções,
O sangue flui nos vasos em pimenta,
E ardem agonias, dores e aflições...

Rútilo e quente, frágil corpo alimenta,
De cansaços, pragas ou maldições,
Que escorem da boca e que fomenta,
Entre os neurônios alucinações.

Ricos rios de muitas bifurcações,
As veias e artérias o ser sustenta,
Em diversas horas e situações:

Bem estar que ao olhar agudo se atenta,
Ou nefastas e mentais posições,
Que ao desvario da face se apresenta.

*Imagem Google

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Clave de Sol e Fá












by Betha Mendonça

cantas-me tantas músicas que entonteço,
esqueço que sou parte, uma pequena nota,
ignota, na nossa descompassada sinfonia:
sintonia de haveres e quereres oprimidos.

compões canções tão belas e intensas,
tensas letras entre melodias e cortes,
suportes de sonhos, voos e sensações:
emoções e fogo nesse peito que te sente.

passem dois, três ou mais dias estás cá,
fá dentro de pautas dessa clave de sol,
girassol em torno de cada movimento,

vento soprado a cada silêncio ou pausa.
causa de alegrias e tristezas minhas,
caminhas assobiando aos meus ouvidos.

*Imagem Google

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Ave de Rapina












by Betha Mendonça

Grande ave de rapina é a tristeza,
Do nada, com destreza e comoção,
Em surdina ataca pequena presa,
E devora-lhe com gosto o coração.

Amado, dá-me agora a tua mão!
Porque tal ave por ora me assedia,
As suas sombrias asas já estão,
A consumir a luz do meu dia a dia.

Dá-me força, serenidade e ação!
Porque me foge do peito a alegria,
E as raízes querem deixar o chão...

Faz-me do teu amor proteção suave,
Ao aconchego de teus fortes braços,
Espanta para longe de mim a ave! 

*Imagem Google

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Soneto ao Juiz












by Betha Mendonça

Quem é que te julgas para julgar,
Verve, voz e autoestima de outrem?
Brigar e açoitar letras dum lugar,
Sem mudar em nada a vida de alguém?

Acorda! Vive tua própria vida e obra!
Olha para quem contigo se importa,
E nota de vez ao fim o que sobra,
Da palavra de quem não te suporta!

Expulsão! Enfim, ora estás feliz?
Tua beleza, sapiência e inteligência,
Tanto, tanto e todo esse cariz...

Que serve, se nada disso te diz?
Exceto saudades e impaciência,
Na ausência do teu empinado nariz...

*Imagem Google

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Soneto Ao Ausente












by Betha Mendonça

Amado, as minhas mãos dançam ao ar,
São beija-flores com sede de vida,
Sem o néctar da tua imagem querida,
Não há no mundo lugar para eu voar.

Na retina que gravava tua imagem,
Carrego desenho sem luz, distante,
Tempestade... Negra poeira... Miragem...
Longe... Perdida do meu horizonte...

Algumas outras imagens já vieram,
Em danças, belos passos do minueto,
E as pesadas aflições me aquiesceram.

Agora provo aqui nesse terceto:
Minhas doces saudades já morreram,
E não foi a ti que escrevi tal soneto!

*Imagem Google

terça-feira, 1 de março de 2011

Lua Branca

by Betha M. Costa

Eis que navega no céu a lua nova!
Sua beleza até as nuvens cativa,
Ativa a face que do amor é prova,
Trova, poesia divina e introspectiva.

Tão bela, amiga, antiga e altiva,
Dona do cavaleiro e sua espada,
Que enlaçado ao coração da sua diva,
Zela a eterna e etérea namorada.

A cada noite clara enluarada,
Em que beija o céu com sua visita,
A Terra banha com luz orvalhada.

Ah, lua branca tão encantada,
Tua presença cria a expectativa,
Da gente nessa vida ser amada!...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Parceria do Saber

by Betha M. Costa

Poetas, mestres e aprendizes na vida,
Vivemos de receber e doar emoções,
O mar da poesia diária é a nossa lida,
E havemos de partilhar sempre as lições.

Não há autodidata na dança do bem viver,
Precisamos conhecer e apontar espaços,
Abrir salões floridos para novos passos,
E vermos juntos o Baile das Letras crescer.

O mundo do alfabeto é cheio de divisões.
Chega de monólogos enfadonhos e solitários,
Vamos ser parceiros solidários nas ilusões!

Conhecimento é para se passar adiante.
Como a música enleva aos céus a alma,
O saber entre nós, a ignorância espante!

sábado, 1 de janeiro de 2011

Procissão das Almas

by Betha M. Costa

Quando sopram os ventos em monções,
Concorridos dias e horas se apressam,
Almas em ladainhas e procissões,
Das janelas para ruas se arremessam.

Perfilando rosários e histórias,
Umas cantam suas alegrias e encantos,
Outras lamentam amargas memórias,
Sob os prantos e seus escuros mantos.

Velas nas mãos, olhos aos infinitos,
Espectros penitentes de si mesmos,
Escorregam nas valas dos proscritos.

Entre as tristes lágrimas dos aflitos,
E alegres e explosivos risos a ermos,
As almas cantam e lançam seus gritos...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Peixes

by Betha M. Costa

Nós todos nadamos nos oceanos gigantes,
Atrás de desvairadas imaginações,
Como meros peixes ornamentais mutantes,
Ou feros tubarões a rasgar emoções.

No circuito denso das marés inconstantes,
Existem grandes cardumes de semelhantes,
Que comem bem por fama ou pelo sobrenome,
Ou morrem pela boca de pobreza e fome...

Bondosos peixes superficiais ou abissais,
Dentro dos nossos mui bem tratados aquários,
Guardem os oceanos e seres embrionários!

Salvem nossa água, flora, fauna e toda vida,
Dos vis desatinos e destinos fatais!
Unam-se agora... Ou será tarde demais!...

sábado, 6 de novembro de 2010

A Um Amigo

by Betha M. Costa

Querido, bom e terno Anisos,
Escorrido enigma na parede...
Quisera balança-te na rede,
E arrepiar teus cabelos lisos!

Desfazer teus sorrisos reprimidos,
Amiudados pelos lábios presos,
E lançar em chamas teus gemidos,
A crepitar fogos de vida acesos.

Mas sempre tens a cabeça baixa,
Bem abaixo onde teu ser encaixa,
Que criaste em ser raiz o costume...

Ergue-te e vive sem azedume!
Tranca teus temores à caixa,
E aproveita a vida e seu lume!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Um Rio no Teu Olhar

by Betha M. Costa

Perdoe por eu ter me perdido,
Nas águas do seu morno olhar,
De louco amor ter esquecido,
Ser o destino do rio o mar...

Maior loucura da minha vida,
É mesmo sem saber nadar,
No rio do afeto, tez suicida,
Lançar-me ao ponto de afogar.

Não existe afago no olhar frio,
Que você lança para mim
De dentro do peito vazio...

O sentimento por um fio,
Choro pela aridez sem fim,
Do rio seco: morto no estio.