terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O Pirilampo Apagado

by Betha M. Costa


Ele vivia no sul de um país tão longe, mais tão longe e mágico, que dele nem se sabia o nome. Era um vagalume ou pirilampo, tipo de inseto que emite luz fosforescente que brilha como estrela em noite escura.


Os amigos o chamam Mô. Sua luz - fosse dia mais ensolarado – ofuscava claridade do sol. Ele tinha grande carisma (dom divino que faz com que um indivíduo se distinga dos demais), mas brincava tanto de alegrar a vida das pessoas, que não se dava conta do poder que possuía de tornar os seus dias mais alegres e iluminados.


Durante grande tempo o pirilampo do sul espalhou sua luz por todos os cantos onde passava. Um dia apaixonou-se por uma formosa flor.Esse romance estava fadado a não dar certo: flor e inseto são espécies diferentes. Nada disso parecia ser impedimento para nosso brilhante amigo. Ele ficou tão feliz, mas tão feliz que voava de um lado ao outro, acendendo e apagando sua luz, como uma lâmpada que enfeita árvore de natal.


Passaram-se meses. Um dia, sem que ninguém soubesse ou entendesse o motivo, apagou-se a luz do vagalume que iluminava quilômetros de corações. Seu brilho já não clareava nem o interior de uma geladeira. Com coração mais frio que o gelo, ele recolheu-se ao silêncio solitário dos que perderam o amor que abrigava no peito nalguma esquina da vida.


Amigo leitor, se você ao andar na rua, encontrar um amor perdido e machucado, por favor, envie para mim!Deve ser do meu amigo hoje um pirilampo apagado. Quem sabe se devolvermos o amor ao seu coração, ele volte a clarear dias e noites com seu brilho pirilâmpico?




Um comentário:

  1. De luzes e sonhos se vai vivendo...

    Gostei do conto.

    Beijo,

    Rudá

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