segunda-feira, 4 de junho de 2018

sábado, 28 de abril de 2018

Sangrar a Vida


por Betha Mendonça

...a vida sangra,
sangue é vida...

...vermelho rutilo
colore o amor,
esquenta o corpo,
rebenta vasos...

...em fuga se põe,
se ferido o coração,
e explode o útero,
na menstruação...

...sem seu aporte:
frieza e lividez,
silencio e morte!...

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Sobre a Felicidade


por Betha Mendonça

Felicidade é uma luz que não pode ser captada pela lente de uma câmera num momento feliz. Seu brilho é tão forte que queima a retina dos invejosos e aparece na foto somente um branco fantasma, sem forma definida.

A felicidade esvai-se por todos os orifícios do corpo. E por ser chama tão forte, quente e brilhante; fica o sol pálido de ciúmes e a lua entristecida por ser o luar tão pequeno perante ela.

É um estar em si e em tudo o que existe. E que não resiste em propagar-se num desejo absurdo, que o Cosmos inteiro possa sentir toda aquela explosão.

Como a criação do Universo ou o Caos, um Big Bang interior, que se propaga em tudo que se toca, cheira, escuta, vê, e, delicia-se em sabores tão diversos, incapazes da caber dentro de versos.

Um arrebatamento, uma música inebriante. Um feitiço que só sabe aproveitar e beber até o último gole, quem não vive com dó de si próprio. Que baila sobre as tristezas, dores e decepções, por que ser feliz é para quem ousa sê-lo. Quem ri de si mesmo, quem minimiza os problemas, por saber que todo mundo os têm.

Felicidade é voar sem asas, correr sem pés, colorir sem tintas, amar a natureza e o natural, sem nada dizer ou mostrar aos outros, por que de longe a gente a percebe...



quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Sangria

por Betha Mendonça 

corta-me!
sê punhal 
a sangrar- me
dores e amores

seja eu 
sangue e seiva
sulco de rio
a irrigar-te...


segunda-feira, 26 de junho de 2017

Ilha de Gelo


por Betha Mendonça

cruzei o mar dos meus sonhos
nas ondas dos teus cabelos
a afagar-te e afogar-me
n’águas salinas d’amores

naveguei e naufraguei
entre teus indicadores
a apontar-me outro nome

por inveja e desgosto
isolei-me numa ilha
até encobrir-me seu gelo

*Poemas para Ulisses

sábado, 10 de junho de 2017

Poemas de Ninar

por Betha Mendonça

teus versos
antigas canções

na noite
embalam-me o sono

redes
de poemas de en_cantar


sexta-feira, 21 de abril de 2017

Depois

por Betha Mendonça

depois dela e dele
não há depois

silencio de morte
cala aos ouvidos
contas do rosário
colorem preces ao chão

não há mais ela nem ele
nem velas nos altares
derruídos em oferendas
e quebras de promessas

não há suplica nem assunção
nem mais bate um coração

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Passos

by Betha M. Costa

ah, passos...
promesseiros sem fé 
posseiros da planta do pé

presos ao cimento das horas 
nem o todo nem as sobras 

do que nunca foi e nem é...



quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Divagações de uma Insana

by Betha Mendonça

Ela não mora mais aqui nesses olhos de jabuticabas maduras devoradas pelo tempo. Nas plumagens de asas ressecadas e ralas, nas gulas controladas, no rosto da lua cheia a sorrir. Não, ela não mora mais aqui!

Adoeceu de doença da cegueira, ao confiar os passos ao parceiro de uma dança feita de nuvem. Teve a voz tragada pelo deserto do silencio, a dizimar pouco a pouco as searas frutíferas e ruidosas do seu ser.

Não, não! Ela encolheu feito uma reta, que de tão encolhida virou um ponto, não se sabe se a seguir ou final.

E por não mais morar aqui, ela cortou as mãos para não acenar mais um adeus.



quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Ainda olho...


by Betha M. costa

vejo-te a pena esmurrar.
desejo, febre, mentira...
soberba, orgulho, ira...
um louco para si a berrar:

sou eu, cá e lá!
fala estátua de sal!
flui fonte do mal!
tenho sede de beber de ti!

largar o palco com tudo:
fábulas e reinado sem rei.
olhar que assiste mudo,
à opera dum sentir sem lei.

e a ferir as retinas,
esses olhos de boiuna,
ainda te (per)seguem.

* de Poemas para Ulisses