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| @betha |
by
Betha Mendonça
Meu
saber tem olhos de menina perdida,
Que
se movem sapecas para o amanhã,
Abaixo
de cílios e sobrancelhas tímidas,
Penteadas
pelas mãos do dia de ontem.
Na
sua boca pequena de muitos beijos,
O
meu saber é bem rosado de desejos,
Pela
tintura de um batom carmesim,
Em
lábios que calam suas verdades.
Os
cabelos negros e lisos que se sabem,
Têm
as noites marajoaras em cada fio,
E
o balanço dos barcos na orla da Baía,
Ao
sabor do vento morno deste seu norte.
É
um saber de nariz com raízes indígenas,
Que
cheira no ar sutilezas e desconfianças,
E
traz guardado em cada um dos seus pelos,
Os
vários odores do Ver-o-Peso e das ilhas.
Todo
o meu saber e ser emolduram-se,
Em
desenhos verdes e amarelos delicados,
De
folhas das imensas e velhas mangueiras,
Que
caem em chuvas nas ruas de Belém...
*Parauara vem do tupi. Para=água, mar e wara=o que veio ou nascido de. Nascido no Pará.

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