Mostrando postagens com marcador Belém do Pará. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Belém do Pará. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Estrela do Norte

Betha Mendonça


Não há passo que eu dê sem que volte ao norte, para essa Belém abraçada pelas águas dos rios, de céu cheio da azul e cinza. Das garças e urubus.

As ilhas a espreitar o movimento das embarcações e aviões sobre a Baia do Guajará. A Praça do Açaí cheia de frutos e toda sorte de gostosuras que vêm de lá.

Dias e noites, sentimentos e sentidos, e, “cantaventos” dos prédios antigos a levar música aos paralelepípedos das ruas estreitas da Cidade Velha.

A Cidade Velha é velha desde que nasci. Ora, aos meus olhos embaçados pela chuva repentina, eu vejo que envelheci mais rápido que ela.

O norte é meu estado, minha estrela de papel, meu canteiro de palavras que vez por outra floresce...


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Dezembro

by Betha M. Costa

Asfalto molhado
Brisa fresca quebra
Eterno verão tropical

Andorinhas já migraram
Voltam no próximo setembro
Silêncio nas samaumeiras

É dezembro nas mangueiras
O verde cheira a selva
Que já não existe mais

Corais cantam nas ruas
Pessoas procuram a si mesmas
Como em todo dezembro.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Cada Coisa no Seu Lugar

by Betha M. Costa 




Tanto verão demais ao Norte das minhas recordações.... No céu azul de doer nos olhos dessa Belém tão cheia de altos edifícios, as garças brancas a voar do Mangal para Praça Batista Campos levam consigo muito dos meus olhos de menina que cresceu e a certeza que ainda se pode sentir por aqui um pouco da antiga selva.


Nos túneis de mangueiras das ruas cantam os bem-te-vis, as andorinhas fazem festa nas acácias floridas, enquanto os chorões da praça balançam ao vento morno do quente fim de tarde.


Expectadora sem brilho - com a nostalgia das pessoas que tarde percebem que o tempo passou depressa - eu me tinjo com o que resta da beleza do quase pôr-do-sol. Contemplo ao longe a Baía do Guajará, seus barcos coloridos de esperanças que chegam a todo minuto e as barcas das tristezas que levam de volta aqueles que deixaram para trás as suas expectativas frustradas.


Além da Baía a Orla das ilhas, os acenos de seus açaizeiros pesados de frutos a dizer adeus aos que partem e alimentar os ficam com o sangue extraído dos grãos. Tudo são paz e tranqüilidade, embora o que agora seja não é como já foi e não será nunca mais como hoje: cada coisa parece em seu lugar.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Rios das Minhas Saudades

by Betha M. Costa

Percorrem água doce em serpentinas,
Os meus olhos em negros corrupios,
Nas chuvas torrenciais e repentinas,
Que transbordam pelos canais e rios.

Acima das águas do Rio Guamá,
O sobrevôo da garça e do urubu,
O abraço da Baía do Guajará,
Banha as ilhotas além do Combú.

A Amazônia sorri e chora por mim,
Na luz dos barcos que deixam o cais,
No canto inocente do curumim...
Na velha Belém que não volta mais...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Eu Sou Belém!

by Betha M. Costa

Sou grande parte da paisagem,
Chuva fina das duas da tarde,
Quem vê Santa de passagem,
E reza com fé e pouco alarde.

Tenho um pouco de marajoara,
Perfume das ervas mal colhidas,
Cachos de frutas multicoloridas -
Ver-O-Peso, açaí ou juçara!

Trago nas veias água barrenta,
Do Rio Guamá e do mangal,
Da Escadinha sou vestimenta,
Da garça o sobrevôo habitual...

Ah, Santa Maria de Belém!
Dos morteiros barulhentos do Círio,
Envolta no manto do eterno bem,
Nossa Senhora de Nazaré é o “lírio”,
A melhor crença que o belenense tem!

domingo, 26 de setembro de 2010

Círio de Nazaré

by Betha M. Costa

De todos os cantos vêm peregrinos,
Coração pulsando de alegria e fé,
Gente do povo, autoridades, cabotinos,
Religiosos, celebridades, nobreza e ralé,
Irmanados são como filhos pequeninos,
A homenagear Nossa Senhora de Nazaré.

Outubro, bem no segundo domingo,
A cidade acorda de madrugada,
Orvalho da noite ainda em respingo,
Fogos no céu em voo de passarada...

A procissão deixa a Catedral de Belém,
Milhares de romeiros seguem a pé,
A berlinda com a “Santa” no vai e vem,
Atrelada a uma grossa corda como uma galé,
É puxada por promesseiros que dizem amém.

No trajeto há fogos, chuvas de rosas,
Papéis picados, cânticos e orações,
Aplausos, gritos, alegrias extremosas,
Lágrimas, prantos e grandes comoções,
Em mais de dois milhões d’almas preciosas...

Até a chegada na Basílica Santuário,
Todos cumprem seus rituais pessoais,
Do promesseiro ao aguadeiro solitário,
Dos governantes ao assessores gerais.

***Círio de Nazaré:
É considerada por muitos como a maior procissão católica do mundo. Ocorre na cidade de Belém (Pará-Brasil), no segundo domingo de outubro de cada ano. Mais de dois milhões de devotos de Maria (Nossa Senhora de Nazaré) de todo planeta participam da festividade que envolve cerca de onze procissões antes da principal que é o Círio.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Filha da Amazônia

by Betha M. Costa

Nasci d’água marajoara,
Moreno-jambo na cor,
Filha do luar paroara,
Com a vitória-régia em flor.

Saias estampadas coloridas,
Danço o sensual carimbó,
Nas cadências já conhecidas,
Que aprendi com minha avó.

Como maniçoba e tapioca,
Comidas típicas gostosas:
Viva a sagrada mandioca,
Das raízes às folhas venenosas!

Samaumeira do meu bem,
De tucupi e açaí sou regada,
Nos rios que cortam Belém,
Vôo junto às passaradas.

Nasci d’água marajoara,
Moreno-jambo na cor,
Filha do luar paroara,
Com vitória-régia a flor!