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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Ritos e Mitos









by Betha Mendonça

Não tenhas dó deste reino sem rei nem rainha,
E nem do súdito cuja fé apaga-se ao sopro da vela,
Nem do nobre guerreiro com a espada na bainha,
Que não pode defender do dragão a doce donzela.

Não louves nem lances incensos sobre Deusas,
Pois muitas só seduzem homens em atos e fé,
Com rostos de Vestais e almas de Medusas,
Cada uma por dentro e fora é somente o quê é.

Erros e crenças, paz e desavenças são humanos.
Como o fogo queima, a água molha e vento areja,
Limpa ou deixa a mácula do pecado que te beija!

Sê mar sem temer bater na pedra doutro lugar,
Nem fazer parte do rio onde navega Caronte,
Não vale blasfemar, sem ter a moeda para pagar.

*Imagem Google

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O Barqueiro

by Betha M. Costa

Rema barqueiro, rema!...

Levada viva pelo Rio dos Mortos,
Miro-te os olhos vermelhos tortos,
Asas longas de vôo rasteiro,
Modos impiedosos e olhos absortos,
Garras a segurar remo grosseiro...

Rema barqueiro, rema!...

Desliza o barco, águas putrefatas,
Mentes disformes e psicopatas,
Até chegarmos ao Hades imundo,
Retiro de vis pecadores primatas,
Para julgar-me o Rei do submundo.

Para barqueiro, para!

Hades não achou no livro o meu nome!
Caronte abandonou-me com fome,
Numa pedra limosa do outro lado,
Lápide escura de ser infame,
Prisioneira viva de um eterno enfado.

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Pela Semana das Bruxas e do Saci publicarei poemas "sombrios e de feitiços".