Mostrando postagens com marcador hades. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador hades. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Éden e Hades










by Betha Mendonça

Não sou os incensos e mirra que roubei dos altares e que espalho nos caminhos. Nem a luz dos vitrais com a Via Sacra, que clareiam mentes de pensamentos escuros. Nem essas lágrimas miúdas, água benta aspergida pelos frades, a espantar a loucura para qual não há cura: somente controle pela fé e pílulas coloridas.

Eu não existia como sou hoje. Nunca mais serei como já fui antes de tragar as nuvens e enxergar com olhos de insensatez que o destino à gente doma. Ele toma outra feição quando se permite ao tempo riscar as nossas escritas e as reescrever a cada dia em fábula diferente.

Agora vivo a liberdade das tardes, passos sobre as sapatilhas, na dança de reaprender a cada dia. Sem os aplausos de mãos e plateias que nada me dizem.

Antes de sair de cena eu não me conhecia como me conheço. Não temia tanto a mim mesma e essa força de fazer de anjos tapetes. Sobre eles caminhar sem dó para chegar aos céus. Nem da capacidade correr com pés nus entre chamas, e, esmagar os demônios até encontrar o Senhor do Inferno.

De bater em Lúcifer até sangrar-lhe as escamas, para que me diga e deixe-me encontrar o que procuro. No fim descobrir: sou uma pedra de sal desfeita nalgum ponto entre o Éden e o Hades.

*Imagem Google


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Ritos e Mitos









by Betha Mendonça

Não tenhas dó deste reino sem rei nem rainha,
E nem do súdito cuja fé apaga-se ao sopro da vela,
Nem do nobre guerreiro com a espada na bainha,
Que não pode defender do dragão a doce donzela.

Não louves nem lances incensos sobre Deusas,
Pois muitas só seduzem homens em atos e fé,
Com rostos de Vestais e almas de Medusas,
Cada uma por dentro e fora é somente o quê é.

Erros e crenças, paz e desavenças são humanos.
Como o fogo queima, a água molha e vento areja,
Limpa ou deixa a mácula do pecado que te beija!

Sê mar sem temer bater na pedra doutro lugar,
Nem fazer parte do rio onde navega Caronte,
Não vale blasfemar, sem ter a moeda para pagar.

*Imagem Google

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O Barqueiro

by Betha M. Costa

Rema barqueiro, rema!...

Levada viva pelo Rio dos Mortos,
Miro-te os olhos vermelhos tortos,
Asas longas de vôo rasteiro,
Modos impiedosos e olhos absortos,
Garras a segurar remo grosseiro...

Rema barqueiro, rema!...

Desliza o barco, águas putrefatas,
Mentes disformes e psicopatas,
Até chegarmos ao Hades imundo,
Retiro de vis pecadores primatas,
Para julgar-me o Rei do submundo.

Para barqueiro, para!

Hades não achou no livro o meu nome!
Caronte abandonou-me com fome,
Numa pedra limosa do outro lado,
Lápide escura de ser infame,
Prisioneira viva de um eterno enfado.

======================================

Pela Semana das Bruxas e do Saci publicarei poemas "sombrios e de feitiços".